quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O poder da camisa azul

1º de dezembro de 2006, +- meio dia. Fazia muito calor e eu tinha recém chegado do Universitário, esperando o almoço e a hora de trabalhar. Bate um carro do Sedex na minha casa com uma encomenda pra mim. Abro e vinha uma caixa de algum desses sites de compra, juro que não me lembro qual era.

Dentro da caixa tinha um plástico da Kappa. Logo realized o que era e quem tinha enviado: Uma camisa do Avaí mandada pelo meu pai.

Junto da camisa tinha um bilhetinho dele, era mais ou menos assim: "Filha! Não tinha a listrada, só azul ou branca. Feliz aniversário!!! Beijos, Pai"

Não preciso dizer que foi um dos melhores presentes que ganhei. Não só por ser uma camisa de futebol. Não só por ser um presente do meu pai que chegou adiantado (!). ERA UMA CAMISA DO AVAÍ! A camisa que eu desfilaria por Porto Alegre sempre que pudesse.

Passou aniversário, formatura, cursinho, vestibular(es) e a camisa ficou lá, num cabide, penduradinha no meu armário.

Viajei, voltei, fiz mais vestibulares, té que finalmente chegou as férias (em fevereiro hehehehe). Fui pra Santa Catarina. Colocava aquela camisa como se fosse um manto. Não um "manto sagrado", mas um manto. Uma vestimenta especial, que mostrava quanto eu, um ser não-florianopolitano adorava e torcia por aquele time. Fui a Florianópolis e lá era constantemente saudada pela minha camisa (e sim, como é de meu costume, fui a praia com ela heheheheheh).

Final de fevereiro, começam as aulas. Não demorou 3 semanas e lá estava eu, feliz da vida numa segunda-feira vestindo meu manto azul. A aula era de Direito Romano (que diga-se de passagem, é uma cadeira que eu dou GRAÇAS A DEUS que já fiz, porque era UM SACO!) e o professor, engraçadinho e metido a sabichão disse: "bãã, Avaí..." Olhei fixo pra ele e disse: "Sim, professor. Avaí, time que em breve estará na Série A!". Ele riu e montou o projetor, assim começando mais uma aula pentelha.

Comecei a andar na rua com a camisa azul. Algumas pessoas (homens, lógico) olhavam assustados com cara de "por que diabos uma guria tá usando uma camisa de um time de segunda divisão AQUI, em PORTO ALEGRE?" outros olhavam e soltavam um sorriso. Nunca me importei. Desde que olhassem pra aquela camisa, tava tudo certo.

Passou o tempo e muitas pessoas vieram falar comigo sobre ela. Perguntavam por que eu torcia pro Avaí, diziam que a camisa era bonita, confortável e aproveitavam a situação pra falar da sua simpatia pelo clube.

Pois bem. Hoje estamos em 2008. Continuo usando minha camisa, hoje, numa posição muito mais confortável. Sábado finalmente poderemos (nós, hawaiianos) gritar: CAMPEÃO CA*****! Mais do que nunca eu terei meu orgulho absurdo em usar essa camisa em todos os lugares, estufar o peito e dizer: sim, eu torço pro Avaí.